Resident Evil: The Final Chapter

Resident Evil: The Final Chapter ★★★★½

“Sometimes I fell like this has been my whole life. Running, killing.”

É um filme que põe um ponto final em todas as discussões do Anderson sobre jogador/avatar e como o avatar é muito mais peça do mundo do que o jogador. Ele humaniza o avatar e desumaniza o jogador e o jogo em si, a corporação (não existiria o apocalipse sem a Umbrella, portanto todo aquele universo. A Umbrella é o jogo). No final, num ato humanitário, o avatar se liberta do que o tornava assim e se consuma como humano. O T-Virus na Alice era a parte do jogo nela, e retirando ela poderia deixar de existir junto com o jogo, mas o filme escolhe (para a minha honesta surpresa) o final mais otimista nessa dinâmica. Francamente, o Anderson é o ÚNICO pensando videogame cinematograficamente com tanto amor. Sem falar em toda a graciosidade técnica desse filme que flui como um mar de fogo. Na inventividade e no dinamismo com que tudo é nos apresentado e realizado. Você sim se perde um pouco no passo a passo da ação, por causa da câmera “descontrolada” e dos cortes frenéticos, mas a intenção aqui não é tanto nos contextualizar nos detalhes dos embates mais próximos, mas sim nos dar um nirvana de ação dos mais puros, um sentimento de imersão que só poderia vir de um dos cineastas mais sensoriais. Mas mesmo assim, os planos aéreos são dos mais esquizofrênicos e lindos da carreira dele, com zooms in/out absurdos. E eu gosto dessa dinâmica religiosa do filme, esse medo de você ser um clone funciona tanto como um distanciamento de deus quanto de um humanismo em si. Enfim, que lindo encerramento.

William liked this review