Escape from L.A.

Escape from L.A. ★★★★½

"Dark Paradise"

Carpenter, em geral, fez dois tipos de filme durante sua carreira, o horror e a sátira política maliciosa, ainda que se movimente bastante entre cada obra. Escape from L.A. parece ser a versão de In the Mouth of Madness para o segundo tipo de filme. É a superfície da imagem que importa em seu excesso extravagante, sua profusão de referências e símbolos des/recontextualizados (L.A. é um filme que inclusive brinca, e de certa maneira ri, com o próprio cinema do Carpenter, nessa espécie de sátira quase trocista do lendário Escape from New York), em sua desestruturação dos espaços da política (relações da cidade) e das instituições (o cinema sendo uma), em sua pura aparência artificial construída a partir da manipulação da imagem em todos os níveis (a computação gráfica "malfeita" é essencial aqui): o filme é terremoto que balança a câmera, fogo que incendeia o enquadramento, tiros de luz, chuva ácida, tsunami, vento noturno, faroeste e ação, horror e comédia, sci-fi e fantasia, sátira e estereótipo, espetáculo CGI colorido e p&b, clichê e original, é Che Guevara e líder fundamentalista religioso, é heroísmo, vilania e o espaço entre os dois, é futuro distópico e Utopia. É botar fogo em Hollywood, explodir o Mickey e desligar o planeta pra, no fim, fumar um cigarrinho.

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