Ms .45

Ms .45

This review may contain spoilers. I can handle the truth.

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Se a principal sentença do filme de Abel Ferrara pode soar reacionária - para se afirmar em um gênero é preciso exterminar o outro - suas motivações não poderiam ser mais legítimas. O que faz de Ms. 45 a grande obra do revenge movie talvez seja justamente a clareza radical de sua proposta, as motivações aqui não são moralmente questionáveis mas, pelo contrário, brotam de uma universalidade inquestionável: a opressão. E assim como o filme ensina, o caminho mais direto para a insubmissão é a aniquilação daquele que oprime. A jornada é clara, ao mesmo tempo em que a personagem descobre sua vocação de exterminadora, ela passa uma postura confiante, recusando a timidez do início, como se a cada morte de um homem ela se tornasse mais forte, mais ela mesma, mais envolvida nesse êxtase justiceiro em prol de um bem coletivo, ou seja, nasce um senso de heroísmo, um delírio invencível. Thana vestida de freira, ao final do filme, de alguma forma atinge seu ápice, se transformando nessa heroína caricata que mata a esmo - com um desespero violento, direto e acima de tudo confiante - todo homem que vê a sua frente. Traída pela própria irmandade, seu instinto insano não seria apenas a mais natural das reações frente a força bruta do opressor e seus representantes simbólicos? Um ato de sobrevivência que encontra na violência sua única e última possibilidade.

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