Cruella

Cruella ★★½

É um filme que até se aproveita bem dessa liberdade entre cgi e live action. Principalmente em como caracteriza os cenários e os objetos em cena.

Os planos sequências que vão percorrendo os ambientes e revelando detalhes de cada espaço criam um senso de imersão interessante, principalmente no início.

Até a forma como assume os cachorros como elementos mais irreais (tanto na caracterização mais exagerada como nas ações em cena dos bichos) lida bem com essa ideia. Com certeza o futuro da Disney está nesse regime entre imagens da animação e do live action. As coisas tendem a se misturar cada vez mais.

O olhar mais caricato do Gillespie funciona bem nessa mistura. O próprio "Eu, Tonya" tinha um exagero na representação de tudo que, se por um lado não dava muito certo naquela proposta específica, tinha seus momentos curiosos.

Pena que a estrutura do filme tem uma obsessão em ser dinâmica. Não dá muito tempo pras coisas acontecerem. A cada 5 minutos enfia alguma música com alguma “exploração visual” nova.

As explorações visuais, por si, tem coisas interessantes. Mesmo a forma que ele aborda as performances da Cruella integram bem um imaginário pop com elementos mais específicos do filme. Mas o longa nunca tem realmente um respiro. Vira um troço meio afobado que não se desenvolve.

Até propõe um olhar sombrio interessante sobre a personagem, mas nunca realmente banca isso. Não que fosse pra virar um Coringa da vida, mas vende uma ambiguidade que só fica na promessa.