Machines

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Em Machines, parece que observamos um mundo paralelo que existe em uma espécie de brecha no espaço-tempo. Contudo, esse não é um mundo paralelo. É o nosso próprio mundo.

Em um ponto alto do filme, um grupo de trabalhadores na porta da fábrica questiona a equipe do documentário. “Vocês perguntam sobre nossos problemas. Quando contamos a vocês, por que não fazem nada?”.

Ironicamente, a história pessoal do diretor Rahul Jain se contrasta a dos homens em seu próprio filme. Vindo de uma família burguesa, Jain passou a infância visitando a fábrica têxtil da qual seu avô materno era dono. Entretanto, essa história não é contada no filme e o diretor se mantém afastado da narrativa, cumprindo o papel de mero observador. Dessa forma, Jain não assume ou toma sua parte naquela engrenagem, criada e administrada por sua própria classe.

Se por um lado o filme executa com mérito tudo aquilo que se propõe a entregar – um trabalho cinematográfico hipnotizante, um mergulho sensorial em um ambiente extremamente hostil e um retrato sobre a superexploração – ainda assim, ele deixa um enorme vazio.

Não há um esforço para examinar o que causa aquela realidade brutal, tampouco há uma busca por qualquer solução. Segundo o cineasta, ele não estava interessado em oferecer respostas sobre o que é aquele mundo, apenas questionamentos.

Mas quantas vezes mais temos que assistir ao sofrimento sem nos atentarmos aos porquês? O longa nos faz ver a engrenagem, mas não a encaixa na verdadeira máquina da qual ela pertence: a barbárie capitalista.

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