The Silences

The Silences

"“Mudos também os mortos pronunciam as palavras que nós, os vivos, dizemos”. Octavio Paz, sempre soube que entre nossas estórias e conversas estão em movimento concomitante às de nossos antepassados. Nos vamos mas deixamos a palavra, “filha da morte”, “coisa humana”, e com ela, uma vida em meio ao tempo. Los Silencios é, nesse sentido, um filme octaviano, instituindo uma vida mortuária entre uma comunidade numa tríplice fronteira de lugar nenhum. Este lugar real – a Isla de la Fantasia, que fica na cidade de Leticia, na Amazônia colombiana – é refúgio de Amparo (Marleyda Souto), mãe de dois filhos, Núria (Maria Paula Tabares Peña) e Fábio (Adolfo Savinvino) que fogem dos conflitos armados da Colômbia em busca de um teto, trabalho e paz.

Amparo perdeu o marido e a filha para a guerrilha. Seus corpos não foram encontrados. Mas essa ausência no filme de Beatriz Seigner não é expressado pela relação da dor de quem fica e o extracampo que sugere o nunca-mais. Seigner assume o cinema como mundo das aparências onde a memória é carne, interação viva. Desaparecidos, os mortos renunciam ao grande contracampo da vida e invadem o quadro – afinal o plano físico é a única matéria do cinema. Não são nem mortos, nem vivos, nem mortos-vivos, mas, como qualquer personagem do cinema, fantasmas."

Leia na íntegra o texto de Fabian Cantieri, parte da cobertura do 51º Festival de Brasília, em revistacinetica.com.br/nova/anotacoes-de-brasilia-2-da-morte-renascemos/