Slender Man

Slender Man

"O gênero cinematográfico do terror, à luz dos pensamentos sociais contemporâneos, talvez seja o campo iconográfico privilegiado para uma revisão histórica crítica da representação da mulher nas imagens do cinema de gênero. A equalização, que já em primeira instância toca em opressões sociais inegáveis, é sobretudo muito ressoante por se respaldar, com intuito de ressignificação, em um acervo de imagens que converte um estigma de histeria feminina em código de gênero. O esqueleto narrativo de praxe dos filmes americanos de terror, principalmente se tratarmos de um subgênero como o slasher, é a relação de predador e presa, na qual um homem psicologicamente deformado desconta suas pulsões psicóticas em uma mulher simbolicamente preparada para reiterar a histeria pelo prisma da capitalização dramática. Como o epicentro do cinema de gênero é a repetição – e, nos melhores filmes, a metamorfose – de códigos previamente situados, sob o encargo da mulher, nos slashers americanos, ficou o fardo de representação da vítima histérica; não à toa, temos o termo scream queens (rainhas do grito) como referência para atrizes que marcaram o gênero. A quase institucionalização da repetição molda uma abstração da possibilidade de significados contingentes em nome de um significado permanente: o fato de uma mulher estar representada como vítima deixa de se tornar objeto de reflexão ou questionamento para se tornar meramente composição de gênero. Slender Man parte desse vácuo para reivindicar uma significação, para submeter uma renovação que imponha, à representação, a cobrança de significado contingente, pois a escolha de conservação inalterada dos códigos já é formação de discurso."

Leia o texto completo sobre SLENDER MAN - PESADELO SEM ROSTO, escrito por Gabriel Moraes, em revistacinetica.com.br/nova/nas-garras-do-medo/