O Banquete

O Banquete

"O caráter de denúncia quanto a esta classe social retratada, em alguma medida dirigente do país, fica absolutamente soterrado pelo enorme fascínio que o longa-metragem demonstra por aquela dinâmica interna a eles, tratando-a com uma seriedade muito, mas muito obtusa, como se os sentimentos ali expostos pelos atores fossem excessivamente nobres ou dignos para serem banalizados; como se a corporificação das falas ácidas pelo elenco tivesse uma grandeza e, em si, sustentasse a obra e isentasse de preocupação com qualquer outra dimensão que o longa-metragem pudesse perseguir; como se este modo de encenar o tema e o drama não fosse por si só de um grandíssimo elitismo cultural, e toda as repetidas trocas-de-farpas e indiretas daquele baile sádico que perdura por uma hora e quarenta e quatro minutos não fossem igualmente despropositadas, porque incapazes de mergulhar a fundo em suas próprias contradições. Porque nada ali é, no fundo, nem sádico, perturbador ou visceral, mas uma versão domesticada e límpida destas coisas, de forma que o sentimento mais notável que participamos é mesmo o do (nosso) constrangimento em relação a eles."

Leia o texto "... ma non troppo", de Pedro Henrique Ferreira, na íntegra em revistacinetica.com.br/nova/ma-non-troppo/