My Own Private Hell

My Own Private Hell

"Em Inferninho, a ficção insular se radicalizou ao extremo: acentuando um traço já presente no apartamento de A Misteriosa Morte de Pérola (Guto Parente e Ticiana Augusto Lima, 2014), o bar é um microcosmo cerrado, inteiramente apartado, quase fora do tempo e do espaço, de onde só saímos à custa de uma ruptura figurativa completa – as derivas oníricas de Deusimar – e apenas para retornar logo em seguida. No entanto, não poderíamos estar mais distantes de uma visada a-histórica ou de uma experiência apaziguada. A beleza dos paradoxos disparados pelo encontro entre as energias presentes nas obras de Guto Parente e Pedro Diógenes – e destas com o experiente grupo de teatro Bagaceira – desarmam o emaranhado anterior e inventam uma forma nova e surpreendente. Isolar-se não significa mais proteger-se em uma cápsula discursiva, e sim uma aposta resoluta na potência das tensões de um grupo e de um espaço. A apropriação indébita de gêneros cinematográficos consolidados, a partir do encontro com um elenco extraordinário, pode passar de um exercício ficcional um tanto distanciado e autoirônico para um drama encarnado, vivo, sem um pingo de piscadela autorreflexiva."

Leia o texto completo de Victor Guimarães para a cobertura do 51º Festival de Brasília (2018), em revistacinetica.com.br/nova/a-espessura-do-artificio/