La Flor

La Flor

"Logo de início, a defesa da ficção como mergulho na aventura é afirmada por Llinás, que, diante do espectador, explica brevemente o que veremos: são seis histórias autônomas, das quais quatro começam e não terminam (um filme de horror B, um musical, um filme de espionagem e “uma coisa que não se sabe muito bem o que é”), uma é um conto inspirado em um filme francês antigo e a última narra a fuga de mulheres prisioneiras de uma tribo indígena que começa na metade e termina. A multiplicação exuberante de tramas e sub-tramas que veremos em seguida tem como contraponto o inacabamento afirmado na introdução. A ficção se volta sobre si mesma e nos entrega o jogo desde o princípio: se o espectador permanece na sala, não é por uma expectativa de resolução do conflito (já sabemos que não a haverá), mas pelo puro prazer aventuresco da ficção; se a narrativa segue adiante, o que mais interessa são seus desvios, bifurcações, voltas no tempo, saltos qualitativos; se o filme se sustenta durante tantas horas, é porque nos oferece um verdadeiro tour de force formal: dramaturgias, tons, climas, gêneros, texturas, estilos de atuação e mise-en-scène, tudo se transforma – o tempo todo."

Leia "O rastilho indiscreto da ficção", de Victor Guimarães, em revistacinetica.com.br/nova/o-rastilho-indiscreto-da-ficcao/