Chocante

Chocante

"Pode parecer óbvio que, como na música do Joelho de Porco, hoje é o passado do futuro. A lâmpada de Edson se acende ao mapearmos as escolhas dessas reconstituições. Chocante, por exemplo, se refere a 1996. Porém, qualquer olhar treinado reconhece ali um cheiro de 1987, 88. O clipe da banda, apresentado nas últimas cenas, vai mais longe: recria uma estética clássica do início dos 1980. Coloque lado a lado com “Jóia”, tesouro da Rosemary no Fantástico de 1982, para entenderem o dilema.

Fica a impressão de que, nos anos 2010, a simbologia dos anos 1980 virou cigarro paraguaio dos 1990, em um processo irreversível. Alimentados em canais do Youtube, conversas de bar, os 80 e 90 viraram uma coisa só, tanto quanto hoje os “anos 70” parecem conter Woodstock e hippies. Pogobol, Viva a Noite e o Dominó cantando “P da Vida” nem imaginavam adolescentes surfando no Netscape, a eleição da nova Loira do Tchan ou Ratinho emocionando o país com o calvário do menino Leandro. Disquem para 0900 (1,99 o minuto) e deem um palpite sobre qual dos passados Chocante imprime como sendo 1996."

Leia o texto completo de Andrea Ormond em revistacinetica.com.br/nova/e-preciso-acreditar/