Gisele contra o Império dos Pixel-Morto

Gisele contra o Império dos Pixel-Morto ★★★★

Sei que fez parte de edital, mas para quem faz filmes caseiros (então absolutamente toscos) à duas mãos, sem tripé, sem equipamento, sem instrução formal de cinema, enfim, corpo, casa e uma handycam, a produção e eficiência deste curta é estonteante, rs.
(Texto como exercício de crítica, pode-se ignorar. Paz.)

A temática não é nova, então não surpreende, os onipresentes fios de transmissão e comunicação introduzem o que a gente já conhece e discute há um bom tempo, mas num stop motion agradável, divertido e com ares de ataque das máquinas, mas também não é, obviamente, ultrapassada. A conexão tratada aqui não - como é tipicamente - como uma escolha, como um vício, como carência, como aparência, mas como servidão (que, na verdade, independe da tecnologia eletrônica e virtual) e vigilância por parte de quem servimos. Acho que se demorou demais no zoom lento na webcam que pisca e apita, mas acho também que foi a intenção, como tem a vigilância.
A alimentação rápida, pobre, horrível, toda plastificada e em pequenas quantidades como lanches pedidos por apps de entrega ou como rações humanas que não servem para nutrir, apenas para matar a fome para poder trabalhar, que agonia; que tempo e condições financeiras tem o proletário pobre para se preocupar com os nutrientes do que ele come? Mas isso acaba amenizado pelo alívio cômico (também na risada maléfica da voz supervisora) na forma de fantasia da personagem.
No fim, uma mensagem insurrecionária assustadora causa pânico e logo uma revolução (e, portanto, libertação) pessoal. Quem dera fosse fácil assim...