Tully

Tully

Existe uma expectativa social (quase imposição) que as mulheres estejam sempre bonitas, bem vestidas e sempre sorrindo. Você cruza por diversas mulheres/mães diariamente que estão de acordo com esses “requesitos sociais”, sem jamais imaginar que naquele mesmo dia, essa mulher já enfrentou um furacão dentro de casa, não dormiu direito pensando nas contas a pagar, foi assediada no trabalho, tem um parceiro pouco colaborador, tem filhos sofrendo bullying na escola, entre tantos outros exemplos. E mesmo assim, lá está ela deslumbrante em seu salto alto, maquiada, com um belo sorriso na boca. Você pensa: “essa mulher deve estar muito bem!”. Mas nem sempre...
O filme brinca muito bem com isso.

Não há como saber se caso em algum momento da minha vida, tivesse eu traçado um caminho diferente ou feito uma escolha mais arriscada (ou mais segura), eu estaria melhor agora. Nós não sofremos as tristezas de vidas que não escolhemos (acho que essa frase, ou algo semelhante, é de Clovis de Barros Filho). 
Nos resta portanto, entender e aceitar positivamente nossa vida com ela é. 
Não acho que o filme seja muito bem resolvido nessas questões mais existenciais que ele tenta levantar. Contudo, ele nos faz pensar sobre o assunto e ainda deixa uma boa lição no fim.

Todo o lance das sereias eu não consegui pegar. Talvez esse ser místico guarda algum simbolismo que simplesmente é algo que faz parte da minha ignorância.

Um filme que trata a maternidade (algo completamente fora da minha jurisdição) com um certo bom humor mas também com a exaustiva realidade que mães enfrentam todo dia.

Nícolas liked this review