The Queen's Gambit

The Queen's Gambit ★★★★★

Anna: move peão para E5.
Eu: Carai, é isso!!!

Que experiência incrível! Do inicio ao fim eu fiquei vidrado com a forma que os personagens me cativaram e ao mesmo tempo foram expostos junto a cena e nos detalhes peculiares que servem de tempero pro rolê acontecer.

Primeiro de tudo, Queen's Gambit é uma série sobre xadrez e enxadristas, e diferente de muita coisa que a netflix coloca a mão, nesse caso ela realmente entrega o que promete.

Ao longo da série, somos expostos a jogadas, nomes, passagens, teorias e táticas que são um deleite para quem joga ou entende um pouquinho de xadrez e ao mesmo tempo para quem não conhece absolutamente nada, pode servir como ponto de partida ou auxiliar ainda mais na imersão, mostrando o esmero que tiveram para procurar pessoas que entendem muito do assunto e amarrar o roteiro.

Falando em roteiro... É uma premissa mais do mesmo de superação, ganhar a grana de dia pra comer de noite e também mostrar pro mundo o seu potencial, ao mesmo tempo em que a fome de vitória aumenta conforme o tempo passa. Isso é ruim? Nem um pouco, nesse caso ele foi orquestrado maravilhosamente bem e em nenhum momento a personagem se perde ou ocorrem falhas na coerência, inclusive achei fantástica a forma com a qual todo mundo é humano (as vezes até demais).

Talvez a parte mais incrível pra mim tenha sido a ultima metade da série, onde mostra uma Beth rockstar lidando com ser foda pra caralho no xadrez e sabendo que está no top 5 fácil mas ao mesmo tempo, estar vivendo uma vida que Keith Richards sentiria inveja, dentro da droga e não se importando muito com nada. E mesmo que tenham todas as explicações para isso (e existem), é sempre interessante ver personagens bem construídos e demonstrando fraquezas ou ações que sabemos que não são as melhores, mas que mesmo assim eles fazem. Demonstra o quanto são humanos, da mesma forma como algumas relações e amizades em alguns momentos são enfraquecidas durante a série. Um ponto altíssimo para mim.

A fotografia e a direção são impecáveis, mantem tanto a atenção do espectador pra narrativa quanto mostra muitos detalhes e coisas sutis em algumas cenas, pra reafirmar pequenas coisas sobre os personagens. A paleta de cores geralmente com tons frios, deixa aquele ar de urgência e de alerta, e que ao meu ver é necessário talvez indicando o estado em que Beth sempre esteve ao longo de sua vida por ser órfã e ter basicamente sobrevivido solo, ao mesmo tempo em que em algumas partidas bem importantes, a paleta drasticamente muda e passa para tons quentes, talvez demonstrando que Beth se reafirmou ou se encontrou novamente consigo mesma, até mesmo que por saber que está em um ambiente em que conhece e domina tão bem, pode abaixar a guarda para o mundo em alguns instantes e se focar em outra coisa? Talvez seja viagem minha também tentando digerir além hahaha.

Trilha sonora boa pra caralho, tanto com as músicas soltas ao longo de alguns episódios quanto com o score original criando a atmosfera pro que está acontecendo. Talvez pudesse ter sido explorado um pouco mais da contra cultura e aproveitado o contraponto da Beth ter sido comparada maior que os Monkees, voltando de novo pro rolê rockstar.

Um sólido 9.2 que recomendo forte pra todos que querem assistir algo envolvente, com personagens táteis e ao mesmo tempo protagonizar algo que podem não ter muita afinidade, e mesmo sendo um deleite pra quem gosta e joga xadrez, isso também não vai ser empecilho para quem não conhece absolutamente nada; Quem sabe alguém não decide experimentar por conta disso também?

*too lazy to write this review in english, sometime soon I'll update this.

Matheu liked this review