Cold War

Cold War ★★★★½

Tanto inspirada em fatos reais quanto no relacionamento entre os pais do diretor, Pawel Pawlikowski (vencedor do Oscar por Ida), a trama tira deste último a âncora emocional, enquanto daqueles, o contexto pós 2ª Guerra Mundial, com a Polônia tomada pela força socialista da União Soviética, em um romance que perdurou 15 anos. Um tempo que pode parecer inenarrável em 85 minutos, sob pena de ser superficial. Não é o que acontece, porém, pois cada elipse tem a duração necessária para ser preenchida pelo tempo que passamos juntos com o casal e testemunhamos sua paixão avassaladora, pela razão do adeus temporário e por que oportunidade os propele a se reunir. É como se Pawel soubesse com a exatidão necessária o que pinçar para o romance fluir, ao mesmo tempo em que abre mão de todo supérfluo.

A fotografia em preto e branco é também bela e apropriada a esta narrativa, que evoca o cinema clássico e está ciente do que representa a ausência de cores. No lugar, canções que conversam diretamente com os sentimentos dos personagens, rimas temáticas e visuais bem elaboradas (p. ex., a cena em que Zula dança com múltiplos parceiros) e comentários políticos de quem preza a liberdade antes de mais nada. Uma ode melancólica ao amor.