As I Was Moving Ahead Occasionally I Saw Brief Glimpses of Beauty

As I Was Moving Ahead Occasionally I Saw Brief Glimpses of Beauty ★★★★★

Vendo o filme me peguei pensando sobre o que me atrai tanto em assistir filmes. Acho que a grande questão é como o cinematográfico simplesmente emula uma realidade e dá a ela uma razão de existir, um objetivo - algo que não vejo na vida, ao menos não na minha. A realidade condensa tudo que existe e limita tudo isso, sendo tudo, mas nada ao mesmo tempo - já o cinema retira toda essa limitação permitindo sua expansão para todos os lados, para onde se desejar. Não é possível pautar uma vida em uma causa, em uma ideia, em uma imagem, mas com um filme você faz o que você quiser, como você quiser. Porém, pensando nas minhas últimas experiências com filmes, uma das coisas que mais me arrebata ao ver um filme é me deparar com a experiência da realidade - total mas vazia - dentro dele, ao invés de uma ideia ou ponto fixo. Seja com diretores que simplesmente dão uma vida inteira a seja lá o que estão retratando, como um John Ford da vida, ou seja com filmes que realmente condensam toda uma experiência de "Estar Vivo" dentro dele, como um Histoires Du Cinema, um Satantango ou esse filme aqui. Com abordagens distintas, são filmes que me passaram toda essa ideia do "Realidade = Tudo = Nada", no qual se ama, se luta, se produz, se ganha, se perde, mas sempre haverá o aqui e o agora: onde tudo se mistura e se transforma numa coisa só, ou em coisa alguma.

Mekas pode resmungar, graciosamente, o quanto ele quiser durante toda a duração do filme falando como "nada acontece" e como tudo é aleatório, mas no fundo ele sabe o que ele montou e o que ele queria com tudo aqui - que, no alto dessa aleatoriedade extremamente bem editada, se acharia a mais universal das experiências, o mais usual do Estar Vivo. Filmando por uns 20 anos tudo que o trazia felicidade, ele montou quem sabe o maior expositor da história de um Tudo/Nada que é bonito, lindo e singelo. Dos pequenos momentos que fazem a vida valer a pena, nos quais não há nada para estragá-lo e te impedir de apreciá-lo - ou nos quais o que tudo que há de ruim ou melancólico é o simples tempo, que não espera por ninguém, mas que Mekas via uma certa beleza inclusive nisso. É uma obra que abraça todo essa melancolia, na verdade, e tem nela seu grande tema. Não é porque nada tem sentido e tudo acaba que não vai existir beleza nisso tudo. O tempo só destrói tudo se você quiser. (realmente seguir essa filosofia que é o difícil)

life goes on --