Luiz has written 10 reviews for films rated ★★★★ during 2018.

  • Wildlife

    Wildlife

    ★★★★

    Para combater incêndios, antes é preciso apagar as próprias chamas. Assim, entre as cinzas do American Way of Life, emergem os vestígios de uma sociedade estratificada.

    Jerry, por um lado, rejeita sujeitar-se. Percebe-se, porém, demasiado pequeno diante de um fogo já há muito alastrado. Jeanette, por outro, procura brechas no sistema. A sonhada ascensão, no entanto, não tarda a revelar seus custos.

    Enquanto os pais se distanciam, Joe busca a independência. Mais que a financeira, o ofício de fotógrafo possibilita-lhe toda uma reconfiguração do sensível. Contra uma sociedade em flamas, o menino reage, enfim, com a captura de um clique.

  • A Twelve-Year Night

    A Twelve-Year Night

    ★★★★

    Você tem que resistir. Resistir de qualquer maneira.

    Por trás das grades, a câmera se fixa em uma prisão. O plano estático, contudo, logo ganha movimento. Enquanto policiais torturam prisioneiros, consecutivas rotações completas desorientam o espectador. Mais que mero artifício cinematográfico, o estonteante fluxo simboliza a condição das personagens. Reféns de um governo ditatorial, três homens uruguaios experimentam todos os tipos de privações. Uma delas, a do tempo, já se explicita no título “Uma Noite de 12 Anos” (La Noche de 12 Años, 2018).

    LEIA MAIS

  • The Tale

    The Tale

    ★★★★

    Sempre quis ter uma história para contar, mas nada nunca me aconteceu antes.

    Em 2008, a documentarista Jennifer Fox (“Beirut – The Last Home Movie”) viajava o mundo para conhecer as histórias de diferentes mulheres. Seu projeto, a minissérie “Flying – Confessions of a Free Woman”, explorava questões como vida e sexualidade femininas nos dias atuais. Entre o conjunto de depoimentos coletados, faltava, no entanto, um de grande importância: o da própria cineasta. Uma década depois, o corajoso longa-metragem autobiográfico “O Conto” (The Tale, 2018), indicado a dois Emmys, investiga esse passado outrora inacessível.

    LEIA MAIS

  • Mission: Impossible - Fallout

    Mission: Impossible - Fallout

    ★★★★

    Enquadrada em plano fechado, uma mão masculina segura a Odisseia, de Homero. Dentro do livro, entretanto, não se leem as palavras do poeta grego. Em seu lugar, um pequeno projetor reproduz o conhecido convite: “Sua missão, caso você decida aceitar”. Apesar de curta, a sequência guarda importante significado. O cinema, grande arte da contemporaneidade, constrói novos heróis, herdeiros das tradições oral e literária. Ulisses dos tempos atuais, Ethan Hunt vence, há mais de duas décadas, homéricas aventuras, exemplificadas com maestria pelo recente “Missão: Impossível – Efeito Fallout” (Mission: Impossible – Fallout, 2018).

    LEIA MAIS

  • Tully

    Tully

    ★★★★

    Imagens de sereias repetem-se ao longo de “Tully” (2018), nova parceria entre o diretor Jason Reitman e a roteirista Diablo Cody (“Juno”, “Jovens Adultos”). Apresentadas em desenhos animados, reality-shows ou até mesmo sonhos, as criaturas mitológicas ocupam sempre um lugar de liberdade. Livres para nadar e cantar, desprendem-se, portanto, da rigidez do cotidiano e aproximam-se, em certa medida, da juventude.

    LEIA MAIS

  • Claire's Camera

    Claire's Camera

    ★★★★

    A crença no poder transformador da arte guia Claire, protagonista do novo longa-metragem de Hong Sang-soo (“Na Praia à Noite Sozinha”, “O Dia Depois”). Interpretada por Isabelle Huppert (“Elle”, “A Professora de Piano”), a parisiense transita com atento olhar pelas ruas de Cannes. Entre um evento e outro do festival de cinema, sua inseparável polaroid registra encontros com transeuntes. A câmera de Claire conecta, portanto, a personagem à cidade, em um exercício de abertura ao fortuito, ao inesperado.

    LEIA MAIS

  • Molly's Game
  • Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
  • All the Money in the World
  • Wonderstruck