Luiz has written 11 reviews for films rated ★★★★½ .

  • A Separation

    A Separation

    ★★★★½

    Clique aqui para ler o artigo que publiquei sobre o filme na Revista Lumina.

  • Night Moves

    Night Moves

    ★★★★½

    Em vez das grandes demonstrações e do risco inerente ao caráter mimético da violência, iniciativas locais podem aquebrantar o Uno da dominação. Não se trata de produzir imagens perturbadoras - como as projetadas pela diretora visitante - para que se oponham aos choques do cotidiano. Nesse caso, o capital poderia reincorporar sua própria instância opositiva - vide a sequência final.

    Se as personagens não encontram uma identidade, é justamente porque os antigos nomes não estão mais disponíveis - tanto literalmente,…

  • Ad Astra

    Ad Astra

    ★★★★½

    Now we know we're all we've got.

  • The Cannibal Club

    The Cannibal Club

    ★★★★½

    Óculos escuros no rosto, aperol spritz na mão e biquíni no corpo: Gilda deita-se sobre uma espreguiçadeira enquanto troca olhares com o caseiro Lucimar. Mãos distantes cortam churrasco, e o flerte continua. O título, em crédito anterior, estabelece uma inicial estranheza. O clube dos canibais, anunciam letras vermelho-sangue. Repentinamente, aquele prato não mais parece tão apetitoso. A justificativa encontraria um apressado espectador na mera referência às práticas antropofágicas. Afinal, o filme parece bem explícito ao representar uma elite cuja opulência…

  • Transit

    Transit

    ★★★★½

    Um escuro cubículo comporta dois homens. Acometido de grave doença, Heinz pouco fala. Georg, seu companheiro, entedia-se no trajeto. Ambos alemães, os homens fogem de uma Paris ocupada pelos nazistas. O trajeto até Marselha é longo. Em busca de um passatempo, Georg entrega-se a um manuscrito. Nesse momento, uma terceira voz toma conta de Em Trânsito.

    Para a surpresa do espectador, as palavras faladas não correspondem às impressas. De um lado, imagens mostram as estrofes do poeta Weidel, cuja morte…

  • The Silences

    The Silences

    ★★★★½

    Com essa ilusão de reencontrar seu familiar, estamos todos no mesmo lugar: mortos!

    No centro da tela, posta-se uma pequena menina de brincos verdes. De sua boca, nada se ouve. Nuria fita o espectador, convocado pelo vazio sonoro. Mais assertiva que qualquer fala, impõe-se o extremo oposto: sua total ausência. Nesse não dito – ou, antes, no interdito – encontra-se a força da performance de María Paula Tabares Peña. Entre o visível e invisível, a voz e a mudez, o lugar e o não lugar, a estreante atriz conduz a narrativa de “Los Silencios”.

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  • Hard Paint

    Hard Paint

    ★★★★½

    "[...]

    Em Tinta Bruta, laureado com o Troféu Redentor de melhor longa de ficção, Márcio Reolon e Filipe Matzembacher abordam tanto estética quanto tematicamente o papel das novas tecnologias. Logo na primeira sequência, uma imagem pixelada captura um jovem corpo. Quando digo capturar, refiro-me a ambos os sentidos da palavra: tanto filmar quanto reter como presa. À medida que o plano se afasta, descobrimos que se trata de uma tela de computador. Sob o codinome GarotoNeon, Pedro performa para milhares…

  • The Favourite

    The Favourite

    ★★★★½

    - O amor tem limites.
    - Não deveria.

    De costas, Olivia Colman ocupa o centro de um salão. Ocupar, mais que seus sinônimos, guarda uma interessante ambiguidade. No primeiro dos sentidos, o denotativo, há uma imediata correspondência visual. Uma enorme cauda branca preenche vertical e horizontalmente a abertura de “A Favorita” (The Favourite, 2018), longa-metragem estrelado pela inglesa. Em outra acepção, porém, o verbo refere-se ao exercício de um cargo. No plano figurado, então, Colman é a rainha Anne Stuart, detentora do trono britânico.

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  • The Father's Shadow

    The Father's Shadow

    ★★★★½

    Trabalhar ainda cansa

  • 108

    108

    ★★★★½

    Em agosto de 2021, conforme a Revista Iconoclasta ganhava forma, uma casualidade nos remetia a Patricio Guzmán (1941–), realizador chileno que, em sua recém-concluída trilogia sobre a memória ditatorial do país andino, implica o espectador em um projeto de “escavação”, em imagens que não cessam de “arder”, em uma relação com o passado não só constativa, mas principalmente modificadora – à luz do tempo presente. A Iconoclasta nascia ao mesmo tempo que Guzmán comemorava 80 anos; a essa dupla celebração,…

  • Le Beau Serge

    Le Beau Serge

    ★★★★½

    Precisamos de alguma coisa para nos apegar.

    François volta ao vilarejo onde cresceu para encontrá-lo em ruínas. Serge, trôpego e errante, é o retrato vivo dos destroços. Após a guerra, instituições como a religião e a família se dissolveram, sem outras emergirem no lugar. Tão feroz quanto o protagonista, a montagem das sequências finais constrói verdadeiro horror. A crescente tensão culmina no rosto de Gérard Blain. Suas feições, entre o desesperado riso e o sintomático choro, implicam o espectador nas imagens. É como se denunciassem a sua cumplicidade.