Luiz has written 40 reviews for films rated ★★★½ .

  • Hotel Mumbai

    Hotel Mumbai

    ★★★½

    - É só um hotel.
    - Parece o paraíso.

    Ferido, um jovem se senta sobre uma cama de hotel. Teme que aqueles possam ser seus últimos momentos. Resolve, então, ligar para o pai. Viciados pelas convenções do cinema comercial, os olhos do leitor imaginam uma vítima do Atentado ao Hotel Taj Mahal. Para a sua surpresa, trata-se, de fato, de um dos perpetradores.

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  • Captain Underpants: The First Epic Movie

    Captain Underpants: The First Epic Movie

    ★★★½

    Escrevi sobre o filme para o catálogo da mostra Fábrica de Sonhos. Texto disponível aqui.

  • 1985

    1985

    ★★★½

    Ei, se você for antes de mim, você vai me esperar?

    A bandeira arco-íris popularizou-se, a partir de 1978, como símbolo LGBT. Inspirada na cultura hippie e na canção “Over the rainbow”, a profusão de cores lembra, ainda hoje, a histórica luta por direitos. Causa surpresa, nesse sentido, a decisão do cineasta Yen Tan (“Pit Stop”). Em vez das representativas matizes, o malaio-americano opta por seu extremo oposto. “O ano de 1985” (1985, 2018) é cinza: escuro como a angústia de seu protagonista.

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  • Alita: Battle Angel

    Alita: Battle Angel

    ★★★½

    "Meritocracia"

  • Dance of the Dead

    Dance of the Dead

    ★★★½

    A tecnologia renova tanto a guerra quanto o entretenimento. Amontoados nos campos de batalha, corpos tampouco se dignificam na indústria do prazer.

    Ao antecipar, na montagem, os espasmos da Dança dos Mortos, Tobe Hooper incorpora esteticamente os sintomas de uma sociedade belicista. Contra ela, resiste sua protagonista, Peggy, atualização do mito de Antígona.

  • Incident On and Off a Mountain Road

    Incident On and Off a Mountain Road

    ★★★½

    O patriarcado morto pelas próprias armas. O tiro final é um tiro no espectador. Didático, mas eficiente.

  • Cam

    Cam

    ★★★½

    O jogo de duplos escancara uma violência simbólica. À protagonista, capturada pela webcam, sequer pertence o próprio corpo. Dependendo do contexto, capturar significa, afinal, não só reter pelas lentes da câmera, mas também como presa.

    A saída dessa lógica demanda uma substituição: a da violência das imagens - isto é, a da captura - pelas imagens da violência - sejam elas as de cortes, tiros ou fraturas. Perceber a relação entre esses dois elementos - a saber, imagem e violência - é o primeiro passo para emancipar-se. Mesmo esse gesto, contudo, corre o risco de incorporação pelo mercado. Nesse sentido, Cam não parece otimista.

  • Fantastic Beasts: The Crimes of Grindelwald

    Fantastic Beasts: The Crimes of Grindelwald

    ★★★½

    Não tenho simpatia por Harry Potter. Odiei o primeiro Animais Fantásticos.

    Dito isso, preciso elogiar Os Crimes de Grindelwald. Em um momento histórico de retorno do conservadorismo, David Yates e J. K. Rowling denunciam o poder das imagens - desde as fantasmagorias medievais - e resgatam a crença na dimensão do fantástico. Tal posição não significa, contudo, uma fuga da realidade, mas - justamente o contrário - novas possibilidades de engajamento.

  • Peterloo

    Peterloo

    ★★★½

    Estaria esgotada a eficácia mimética da arte? Durante mais de duas horas, o "sim" parece tentador. Então surge o massacre. E poucos minutos abalam quaisquer certezas. Arrebatadores.

  • Goosebumps 2: Haunted Halloween

    Goosebumps 2: Haunted Halloween

    ★★★½

    Nenhum horror do mundo se compara ao terror de uma página em branco.

    A jovem Sarah (Madison Iseman) senta-se de frente para o computador. Em poucas linhas, precisa responder: qual medo moldou sua vida? Pensa, pensa e não chega a conclusão alguma. Candidata ao curso de escrita criativa da Universidade de Columbia, a protagonista de “Goosebumps 2 – Halloween Assombrado” (Goosebumps 2 – Haunted Halloween, 2018) experimenta, talvez pela primeira vez, um cruel bloqueio. A frustração interrompe-se com a chegada…

  • Legalize it!

    Legalize it!

    ★★★½

    Isso aqui é a década da pobreza cultural.

    Entre uma tragada e outra no cigarro de maconha, duas personagens conversam. Jovens músicos, eles tentam formar uma banda. Para gravarem uma demo, percebem, precisam de verba. Se querem dinheiro, por sua vez, têm que organizar um show. Antes de conquistarem público pago, contudo, necessitam reconhecimento. Para isso, por fim, é indispensável uma demo. O pensamento cíclico, por eles atribuído aos efeitos da erva, sintetiza, na verdade, a lógica da indústria fonográfica. Em face de um mercado fechado, “descidas à boquinha da garrafa” e “cuidados com a cabeça do pimpolho” abafam os gritos de “Legalize Já”.

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  • The Royal Exchange

    The Royal Exchange

    ★★★½

    Não sei quem está pior. Ele, que morreu, ou eu, que vivo com pavor de morrer.

    Narra Nietzsche, em O Nascimento da Tragédia (Die Geburt der Tragödie, 1872), o encontro entre Midas e Sileno. O primeiro, rei da Frígia, perseguia o segundo, sábio companheiro de Dionísio, durante longo tempo pela floresta. Quando, finalmente, conseguiu capturá-lo, indagou-lhe sobre a maior e mais preferível coisa para o homem. “O melhor de tudo é para ti inteiramente inatingível: não ter nascido, não ser,…