Luiz has written 70 reviews for films during 2018.

  • Cam

    Cam

    ★★★½

    O jogo de duplos escancara uma violência simbólica. À protagonista, capturada pela webcam, sequer pertence o próprio corpo. Dependendo do contexto, capturar significa, afinal, não só reter pelas lentes da câmera, mas também como presa.

    A saída dessa lógica demanda uma substituição: a da violência das imagens - isto é, a da captura - pelas imagens da violência - sejam elas as de cortes, tiros ou fraturas. Perceber a relação entre esses dois elementos - a saber, imagem e violência - é o primeiro passo para emancipar-se. Mesmo esse gesto, contudo, corre o risco de incorporação pelo mercado. Nesse sentido, Cam não parece otimista.

  • The House That Jack Built

    The House That Jack Built

    ★★★

    O "diagnóstico" é preciso: cultura e barbárie caminham lado a lado. A "solução", no entanto, carece de uma abordagem mais crítica.

  • Bohemian Rhapsody

    Bohemian Rhapsody

    ★★

    Talvez Bohemian Rhapsody não tenha nada a dizer, ou, mais provavelmente, o tom conciliatório é deliberado. No fim das contas, dá no mesmo.

  • Fantastic Beasts: The Crimes of Grindelwald

    Fantastic Beasts: The Crimes of Grindelwald

    ★★★½

    Não tenho simpatia por Harry Potter. Odiei o primeiro Animais Fantásticos.

    Dito isso, preciso elogiar Os Crimes de Grindelwald. Em um momento histórico de retorno do conservadorismo, David Yates e J. K. Rowling denunciam o poder das imagens - desde as fantasmagorias medievais - e resgatam a crença na dimensão do fantástico. Tal posição não significa, contudo, uma fuga da realidade, mas - justamente o contrário - novas possibilidades de engajamento.

  • Wildlife

    Wildlife

    ★★★★

    Para combater incêndios, antes é preciso apagar as próprias chamas. Assim, entre as cinzas do American Way of Life, emergem os vestígios de uma sociedade estratificada.

    Jerry, por um lado, rejeita sujeitar-se. Percebe-se, porém, demasiado pequeno diante de um fogo já há muito alastrado. Jeanette, por outro, procura brechas no sistema. A sonhada ascensão, no entanto, não tarda a revelar seus custos.

    Enquanto os pais se distanciam, Joe busca a independência. Mais que a financeira, o ofício de fotógrafo possibilita-lhe toda uma reconfiguração do sensível. Contra uma sociedade em flamas, o menino reage, enfim, com a captura de um clique.

  • Vox Lux

    Vox Lux

    ★★½

    Ingênuo, para dizer o mínimo. A forma se sobrepõe ao conteúdo, e o sempre semelhante reapresenta-se com outra roupagem. Se as multicoloridas - mas nada politizadas - performances de Celeste aniquilariam o pensamento crítico, como interpretar a rigorosa estilização de Corbet?

  • The Father's Shadow

    The Father's Shadow

    ★★★★½

    Trabalhar ainda cansa

  • The Hate U Give

    The Hate U Give

    Uma pena privilegiar a politização temática e esquecer completamente a estética. Uma aula de como não fazer cinema, literatura e arte de um modo geral. Um repetitivo produto reformista que ignora os potenciais revolucionários do meio.

  • Peterloo

    Peterloo

    ★★★½

    Estaria esgotada a eficácia mimética da arte? Durante mais de duas horas, o "sim" parece tentador. Então surge o massacre. E poucos minutos abalam quaisquer certezas. Arrebatadores.

  • A Retirada para um Coração Bruto

    A Retirada para um Coração Bruto

    ★★★

    "[...]


    A retirada para um coração bruto, de Marco Antônio Pereira, traça um inusitado quadro de um Brasil interiorano. Em meio à paisagem rural de Cordisburgo, cidade-natal de Guimarães Rosa, o viúvo Osório apega-se a um radinho de pilha. Embora breve, a descrição nos remete imediatamente ao embate entre Tarzan e Emília. A boneca de pano, representante da cultura letrada, parece, segundo essa leitura, superada pelo herói estadunidense. Em outras palavras, ainda que nascido em um dos berços da literatura…

  • The World Is Yours

    The World Is Yours

    ★★

    Genérico

  • Never Look Away

    Never Look Away

    ★★★

    Vielleicht hat von Donnersmarck selbst ein Werk ohne Autor verfilmt, aber trotz seiner linearen Erzählung und seiner konventionellen Ästhetik ist der Film immer kompetent und nie ermüdend.