Three Paths to the Lake

Three Paths to the Lake ★★★★

Em certa oportunidade, quando perguntado a respeito de O castelo (Das Schloß, 1997), sua adaptação do livro incompleto de Franz Kafka para a televisão austríaca, Michael Haneke preocupou-se em estabelecer uma clara distinção entre releituras televisivas e cinematográficas. Enquanto estas, segundo ele, reimaginariam com maior liberdade a fonte inspiradora, aquelas, objetivando atrair outros leitores, obrigatoriamente se reportariam ao “original”. Nesse sentido, um primeiro olhar percebe, em Três caminhos para o lago (Drei Wege zum See, 1976) - versão para a rede alemã SWR do conto homônimo de Ingeborg Bachmann -, alguns vestígios de “fidelidade”: a começar pelo narrador observador, manifesto desde o momento inicial. Uma interpretação mais arrojada, por sua vez, buscaria no segundo filme de Haneke alguns indícios de sua vindoura carreira. Quais são eles?

Antes de entender o que o cineasta propõe de original, identificar possíveis influências talvez ajude a situá-lo em uma determinada tradição da Sétima Arte. Nesta lógica, o enredo de Bachmann caracteriza-se sobretudo por uma simplicidade narrativa: Elisabeth Matrei, uma fotógrafa de meia-idade, retorna à casa onde cresceu para visitar o combalido pai. Nos arredores da propriedade, dez trilhas propiciam o contato com a natureza, mas apenas três delas levam a um lago de que guarda boas recordações. Dia após dia, a personagem tenta um trajeto diferente: em alguns se perde; em outro, encontra uma rodovia em obras. O locus da lembrança infantil jamais se materializa no tempo presente.

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