The Rebellion

The Rebellion ★★★½

No começo da década de 1990, Michael Haneke já havia debutado nas grandes telas quando recebeu o convite da rede austríaca ORF para dirigir A rebelião (Die rebellion, 1993), adaptação do livro homônimo de Joseph Roth. O lançamento cinematográfico de O sétimo continente (Der siebente Kontinent, 1989), quatro anos antes, resulta, de fato, quase de um acaso, tendo o seu roteiro inicialmente visado ao espectador televisivo. Desse modo, em paralelo à produção da “trilogia da frieza”, Haneke continuou a colaborar com a Österreichischer Rundfunk até 1997, ano da estreia de Violência gratuita (Funny Games) no Festival de Cannes e de O castelo (Das Schloß) - versão da obra incompleta de Kafka produzida conforme sugestão do realizador - em Berlim.

A esse respeito, vale lembrar ainda uma vez a postura do diretor quanto à migração da literatura para a televisão e o cinema: enquanto, neste caso, se permitiria reimaginar com maior liberdade a fonte inspiradora, naquele obrigatoriamente se reportaria ao “original”, em busca de novos leitores. Como em Três caminhos para o lago (Drei Wege zum See, 1976), portanto, as remissões ao texto ocultam os vestígios do - agora já mais maduro - artista. Se a presença do narrador observador indica uma certa “fidelidade” às palavras de Roth, trata-se contudo apenas de uma referência, com base na qual - verificando-se uma tradição instaurada ao menos desde Truffaut e os Cahiers - se pode tecer uma linguagem própria: não por dissimulação ou busca de equivalências, mas pela proposta de uma narrativa das imagens em substituição ao encadeamento aristotélico de ações.

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