Social Hygiene

Social Hygiene ★★★½

Qual cumplicidade tácita poderiam partilhar, de um lado, o distanciamento social imposto pela pandemia do novo coronavírus e, de outro, o distanciamento simbólico agenciado pela dramaturgia? Essa estranha pergunta parece reincidir nos intervalos entre uma e outra longuíssima tomada de Higiene social (Hygiène sociale, 2021), novo filme do canadense Denis Côté (Antologia da cidade fantasma) que integra o catálogo online da atual edição da Mostra de São Paulo. Composta, basicamente, por um conjunto inferior a dez planos-sequência jamais decupados internamente, cuja duração média se acerca dos dez minutos (em uma obra com apenas cinco quartos de hora), a estrutura do longa-metragem repete uma singular disposição espacial em seus cenários campestres: entre o protagonista, Antonin (Maxim Gaudette), e cada interlocutor, respeita-se o mínimo de dois metros recomendado pelas agências de saúde. Ainda que se trate de um flerte romântico, ainda que dois homens desfiram socos entre si, os corpos filmados nunca se tocam.

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