Michael H. – Profession: Director

Michael H. – Profession: Director ★★★★

Dentre os primeiros documentários sobre Michael Haneke, apenas um tentara abranger a totalidade de sua carreira cinematográfica. A empreitada de Gero e Felix von Boehm encontrou dois obstáculos. O primeiro, mais óbvio, trata das dificuldades de condensar duas décadas em menos de uma hora. Mais forte que essa limitação temporal, na verdade, a própria natureza do projeto afastava o interesse de quem buscava aprofundar-se na obra do realizador austríaco. Malgrado o seu caráter aglutinador, Michael Haneke: Mein Leben (2009) despertava nestes apenas um interesse biográfico - constituindo, portanto, o seu teor jornalístico um segundo empecilho para se adentrar no universo de um artista cuja criação contraria a busca midiática por um controle do discurso.

Nesse sentido, quando se propôs a filmar Haneke pela primeira vez, Yves Montmayeur centrou-se na questão específica do uso de planos-sequência e no contexto situado dos bastidores de Código desconhecido (Code inconnu, 2000). Esse material, capturado para o curta-metragem Filming Haneke (2000), reaproveitou-se treze anos e duas Palmas de Ouro mais tarde, no documentário Michael Haneke - Profissão: Diretor (Michael H. Profession: Director, 2013). Dispondo da duração de um longa-metragem e de uma vasta gama de materiais de arquivo, talvez se estabelecessem as condições para um olhar retrospectivo sobre essa rica trajetória cinematográfica. Faltaria, ainda assim, uma linguagem que sintetizasse todo o acervo. É neste ponto que se destaca a direção de Montmayeur.

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