Love and Death

Love and Death ★★★★

O título de uma obra enquanto camada de sua leitura, tão significativo em outras artes, talvez se encontre subestimado pelo espectador cinematográfico. As versões nacionais não deixam mentir: em vez de privilegiarem a literalidade ou uma nova apreciação, muitas vezes se pautam elas por interesses mercadológicos. Quando duas mulheres pecam, por exemplo, o infame nome atribuído a Persona no Brasil, substitui o jogo de duplos bergmaniano pela vendabilidade de um erotismo sugerido. A última noite de Boris Grushenko, por sua vez, pretere a complexa simplicidade do binômio amor e morte (Love and Death) em benefício da longuíssima forma pela qual se chamou o filme no Festival de Berlim (Die letzte Nacht des Boris Grushenko).

Para além de suas singulares traduções, tanto Persona quanto Love and Death compartilham questões comuns. Elas se resumem, nos derradeiros momentos de A última noite, em um diálogo entre Diane Keaton e Jessica Harper. Nele, a personagem de Keaton, Sonja, parte das desventuras românticas de Natasha, interpretada por Harper, para construir um absurdo e hilário silogismo. “Amar é sofrer, não amar é sofrer, sofrer é sofrer”. O embate entre vida - ou amor - e morte - ou sofrimento -, tão caro à filmografia de Ingmar Bergman, aparece transfigurado sob a direção de Woody Allen. Não sem motivo, os rostos das duas atrizes se cruzam pouco depois, em clara referência ao encontro imagético de Bibi Andersson e Liv Ullmann.

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