Inner Court

Inner Court

O plano se divide diagonalmente. Hasteada a meia altura, uma bandeira do Brasil ocupa parcialmente o canto esquerdo. No direito, por sua vez, um crucifixo posiciona-se no limite do quadro. A turbidez desvanece a figura central, dissoluta entre o imperativo patriótico e o moralismo cristão. Antes do figurativo desaparecimento, porém, Gustavo bebe uísque. A embriaguez não parece atingi-lo; seus efeitos atravessam a materialidade da tela e acometem o espectador. Em um ponto de vista da personagem, turvos estariam os elementos circunscritos nas extremidades do visível. Impuro, contudo, manifesta-se o próprio protagonista. Trata-se, logo, de outra coisa.

Juiz criminalista, Gustavo Ferreira talvez se desvanecesse enquanto presença fantasmagórica, mera conexão entre os valores nacionais e religiosos. Nesse caso, o espectador completaria o sentido. O Estado brasileiro, sob a figura de um de seus três poderes, traçaria obscura ligação com os interesses cristãos. Assim, a bandeira se dobra, e o crucifixo vai e volta com o movimento de câmera. Ou seja, tanto um quanto outro encontram-se corrompidos. Leitura criativa, certamente, mas jamais autorizada pela obra.

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