Fraulein

Fraulein ★★★★

Em dois diferentes níveis, o nome deste filme antecipa algo sobre si. Literalmente, Fraulein significa senhorita, mas, à época da produção - anos 1980 -, o termo já caíra em desuso por sua distinção sexista entre solteiras e casadas. O subtítulo, Ein deutsches Melodram (Um melodrama alemão), por sua vez, sugere uma filiação ao gênero: assim como no "policial" Quem foi Edgar Allan? (Wer war Edgar Allan?, 1984), no entanto, a estrutura simultaneamente se constrói e desconstrói. Tal caráter disruptivo reafirma-se em uma segunda e menos imediata leitura. No campo das artes, Fraulein remete à canção de Chris Howland incorporada pelo austríaco Michael Haneke. O forte sotaque do britânico contrasta-se com os versos em alemão, e a sensação, dentro do contexto do longa-metragem, é a de que aos derrotados na Segunda Guerra sequer pertence o próprio idioma.

Seguindo uma corrente melodramática, o enredo apresenta a relação extraconjugal entre a germânica Johanna, funcionária do Cinema Roxy, e um prisioneiro de guerra francês. Afastando-se dessa tradição, contudo, a narrativa se deslocaliza até alcançar certa universalidade. Nesse sentido, o amante, André, atua em espetáculos de luta-livre sob a alcunha “máscara negra” (die schwarze Maske), mas essa personagem não passa de um tipo genérico, posteriormente vivido por outro homem. Se pouco interessam as particularidades de ambos, um discurso mais abrangente se delineia com o retorno do marido, presumido morto na guerra. As sequelas físicas e psicológicas de Hans dizem respeito ao horror de uma geração, sem entretanto se restringirem àquele importante momento.

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Luiz liked this review