Madalena

Madalena ★★★½

Alguns teóricos e artistas do afrofuturismo traçam um rico paralelo entre a experiência da escravidão e o imaginário de abduções alienígenas: em ambos os casos, trata-se de um violento encontro, cujas marcas e traumas se verificam ao longo de gerações e de seus estigmas. Malgrado a especificidade histórica dessa analogia, a figura do extraterrestre enquanto um corpo não contado, subjugado pela opressão cotidiana, talvez se possa estender a outros grupos em diferentes contextos. No Brasil contemporâneo, como assinala a cartela final de Madalena (2021), o assassinato de transexuais e travestis coloca o país no ingrato primeiro lugar do mundo. Uma dessas vítimas é Madalena (Chloe Milan), que intitula o filme de Madiano Marcheti, personagem muito citada, mas pouco vista, cujo nome ecoa na voz de Luziane (Natália Mazarim) como uma reiteração de seu próprio movimento identificatório. Quando, de outro modo, a moça realmente aparece, ganha contornos de espectro, o que leva à hipótese, logo descartada, de tratar-se de um espírito; mais provável, como sugere uma terceira mulher, é uma visita alienígena.

LEIA MAIS

Luiz liked these reviews