Dark Waters

Dark Waters ★★★★

À primeira vista, O preço da verdade parece mais uma obra sobre o heroísmo individual estadunidense - ou sobre um sistema corrompido do qual emerge a própria força regeneradora. Em determinado momento, a câmera adentra a sala de reuniões de um escritório de advocacia, e o homem sentado à cabeceira toma a palavra. Encarnado nessa voz de autoridade, o retorno da fé nas instituições recebe energético clamor. Estão armados os elementos para uma tradicional cinebiografia. Inspirado no artigo jornalístico “O advogado que se tornou o pior pesadelo da DuPont”, o roteiro se centra na figura de Rob Bilott (Mark Ruffalo), protagonista de uma luta como aquela entre Davi e Golias. Cartelas temporais e espaciais localizam a audiência, e a reencenação se inicia.

Como já indicava a primeira frase do texto, Dark Waters (título original) só parece convencional. Não é - ou não seria um filme de Todd Haynes. A começar pelas cartelas: recurso comum - e geralmente preguiçoso - para situar espacial e temporalmente a narrativa, elas se repetem dezoito vezes. Dezoito. Mesmo o mais desatento espectador nota o excesso quando os anos de 2006, 2007, 2008 e 2009 se sobrepõem rapidamente. Para além do artifício ordinário, percebe-se, o exagero modifica a função. Não mais simplesmente o orientam, as consecutivas datas imprimem no público o peso de uma justiça morosa.

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