Cam

Cam ★★★½

O jogo de duplos escancara uma violência simbólica. À protagonista, capturada pela webcam, sequer pertence o próprio corpo. Dependendo do contexto, capturar significa, afinal, não só reter pelas lentes da câmera, mas também como presa.

A saída dessa lógica demanda uma substituição: a da violência das imagens - isto é, a da captura - pelas imagens da violência - sejam elas as de cortes, tiros ou fraturas. Perceber a relação entre esses dois elementos - a saber, imagem e violência - é o primeiro passo para emancipar-se. Mesmo esse gesto, contudo, corre o risco de incorporação pelo mercado. Nesse sentido, Cam não parece otimista.

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