Beatriz

Beatriz ½

Até onde pode ir o amor da gente por uma pessoa?

Nos últimos anos, Marjorie Estiano afirmou-se como uma das mais interessantes e promissoras atrizes nacionais. Sob a batuta de nomes experientes como Andrucha Waddington (“Sob Pressão”), Breno Silveira (“Entre Irmãs”) e Monique Gardenberg (“Paraíso Perdido”), a jovem curitibana encontrou no cinema terreno fértil para plantar o seu talento. Suspense, drama histórico, musical: multifacetada, destacava-se em qualquer gênero. Não sem motivo, foi em um território ainda inexplorado que ela obteve o maior reconhecimento. Com o terror “As Boas Maneiras” (2017), escrito e dirigido pela dupla paulista Juliana Rojas e Marco Dutra, Estiano conquistou um Troféu Redentor. Não era, contudo, a primeira – e tampouco a última – passagem da curitibana pelo Festival do Rio.

Dois anos antes, “Beatriz” abria a Première Brasil. Coproduzido por Portugal, o longa-metragem de Alberto Graça (“O Dia da Caça”) chega só agora ao circuito comercial, quase quatro anos após a sua sessão de gala. Por um lado, é verdade, tantos outros filmes sofrem dificuldades de distribuição e exibição. Mesmo grandes nomes, como Ruy Guerra, enfrentaram, recentemente, situações semelhantes. No caso do moçambico-brasileiro, porém, “Quase Memória” (2015) conservava uma urgência à data de sua estreia – qual seja, a de discutir memória em um país ameaçado pelo retorno de autoritarismos. Não parece ser esse o caso de “Beatriz”, menos atual – ou mais velho – a cada dia.

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