Badiou

Badiou ★★★½

Duas tendências ameaçam a captura cinematográfica de figuras da intelectualidade. De um lado, remissões biográficas esvaziam o pensamento quando o limitam a uma série de relações causais. De outro, abordagens didáticas conjugam conceitos audíveis e ilustrações visíveis em uma anulação mútua. Cientes desses riscos, Gorav e Rohan Kalyan investigam, em Badiou, as condições sob as quais se torna habitável esse nome próprio, um dos mais importantes da filosofia contemporânea.

Antes mesmo de qualquer imagem, Alain Badiou teoriza o acontecimento (événement), base de seu sistema filosófico. Trata-se, segundo ele, de uma interrupção na narrativa biográfica, de um corte – tal qual aquele efetuado pelos irmãos Kalyan entre a tela preta e a janela de uma aeronave. O som da turbina divide a trilha com a voz do biografado, em uma definição do événement a partir de suas imprevisibilidade e incalculabilidade. O avião alça voo, e os créditos tomam conta do ecrã, ritmados pela abertura de O holandês voador. Não obstante o tom grandioso da ópera wagneriana – músico revolucionário para Badiou, malgrada sua incorporação pelo fascismo –, o heroísmo transcende a dimensão pessoal da personagem em direção à universalidade de suas ideias.

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