• Scream

    Scream

    ★★★★

    CRÍTICA COMPLETA

    Vivemos uma era de fantasmas no cinema. Desde Jurassic World (2015), a indústria cinematográfica tenta emplacar revivals de franquias antigas e consolidadas, usando a nostalgia como a base dessas sequências. A estrutura é a mesma: apresentam personagens novos e atualizam os temas para a atualidade, porém a história possui a mesma estrutura que o original e algumas figuras e signos marcantes retornam para trazer o efeito nostálgico.

    Pânico (2022), dirigido pela dupla Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, entretanto,…

  • Eyes Wide Shut

    Eyes Wide Shut

    ★★★★★

    Até dublado é obra-prima!

  • Louis C.K.: Sorry

    Louis C.K.: Sorry

    ★★

    O novo stand up do Louis CK é tranquilamente o pior dele. Parece que ele tá cansado, sem ânimo pra fazer, e aí fica usando o politicamente incorreto como artifício pra chocar. E assim, se tem alguém que sabe fazer humor incorreto é o CK, mas nesse novo show ficou bem genérico.

    A graça dos stand ups é que ele conseguia entrar numa área ambígua entre o que se pode e o que não pode fazer piada, e isso gerava uns momentos muito geniais, talvez seja o comediante que mais me fazia rir. Agora nesse novo show ele só parece o Danilo Gentili mesmo.

  • Halloween: The Curse of Michael Myers

    Halloween: The Curse of Michael Myers

    ★★★½

    De forma geral, a historia sabe lidar bem com pequenos conflitos dramáticos. O pai abusivo, o jovem obcecado com Myers, o garoto que tem visões malignas - ainda que irrite bastante toda a parte da deita satânica. A dramaturgia consegue sustentar essas pequenas partes, que são as que realmente importam pra que o filme atinja seus momentos de ouro: os assassinatos. Me parece que o filme todo existe pra justificar as mortes e, olha, eu aceito essa justificativa pelo simples…

  • Drive My Car

    Drive My Car

    ★★★★½

    Filme de fantasma. A fita de áudio, o carro antigo, o roteiro de Checkov, as memórias compartilhadas entre os personagens, a filha morta, os restos da casa, o passado que não volta. Até a cidade é um cemitério ambulante - estamos falando de Hiroshima, afinal. E mesmo assim, continuamos vivendo.

    (Talvez eu adicione mais comentários aqui depois)

  • The Irishman

    The Irishman

    ★★★★★

    Toda a iconografia do cinema de máfia é resgatada, aplicada e subvertida aqui. Scorsese pega elementos que vão desde Scarface, do Hawks, até o seu Bons Companheiros e insere eles num contexto moroso e ritualístico muito forte. Como pode 3h30 de homens conversando serem tão envolventes? Por que eu me importo tanto com essas pessoas?

    Assistir esse filme é como viver uma vida com eles. O peso do envelhecimento é mais impactante que tudo. E o CGI funciona como esse…

  • Allied

    Allied

    ★★★★★

    Zemeckis resgatando toda uma tradição do cinema de aparências. Isso aqui é Hitchcock, é De Palma, é Verhoeven. A brincadeira com espelhos, as paranoias do protagonista e o jogo de atuações entre o casal evidencia muito isso. Mas ao mesmo tempo o diretor consegue manter uma certa inocência que esses diretores não possuíam, um estilo romântico que gera um contraste muito interessante com o cinismo inerente às manipulações e aparências.

    É um filme que caminha na linha tênue entre a…

  • The Matrix Resurrections

    The Matrix Resurrections

    ★★★★½

    Nesses últimos dias, enquanto navegava pela timeline do Twitter, me deparei com um texto, escrito por Natália Reis para a revista Multiplot!, cujo título me chamou muita atenção: “Toda história de amor pelo cinema é também uma história de fantasma (ou sobre minha experiência com Contos da lua vaga)”. No ensaio, a autora comenta acerca do aspecto assombroso que ronda a experiência cinematográfica (especialmente na obra de Kenji Mizoguchi). Ela disserta sobre a capacidade da sétima arte de criar espectros…

  • Jupiter Ascending

    Jupiter Ascending

    ★★½

    Bem decepcionante. Ainda que seja muito inventivo visualmente e, sobretudo, na construção do universo fictício (talvez o melhor das Wachowskis desde Matrix), é difícil se importar com os acontecimentos quando nem os atores parecem acreditar na encenação. A Mila Kunis e o Channing Tatum parecem ter odiado fazer esse filme kkkkk. A química deles é tipo Neo e Trinity ao contrário, a coisa mais insossa e asséptica. E pra ser sincero, acho que nem as cenas de ação são tão…

  • The Card Counter

    The Card Counter

    ★★★★★

    Penso que uma das coisas mais interessantes nesse filme é a maneira que o Schrader cria uma obra tão distante dramaticamente - os personagens parecem não ter alma -, mas ao mesmo tempo todos os sentimentos que aparecem geram emoções avassaladoras. Se o protagonista, um ex-militar traumatizado, encontra uma fuga de seus traumas no Poker (jogo em que vence justamente o que melhor consegue esconder e manipular emoções), é nas relações fraternas e românticas que ele vai se desvencilhar desse…

  • West Side Story

    West Side Story

    ★★★★½

    Penso que Spielberg observa a história de "West Side Story" através de 2 olhares muito destoantes, mas que se complementam bem: a fantasia e o "realismo". É como uma progressão. O filme inicia nesse universo mágico e romântico, que me maravilha muito por causa do virtuosismo do diretor, e parte cada vez mais pra uma sobriedade no estilo e uma certa decadência na dramaturgia, que ganha aspectos mais pesados e moralmente complexos.

    É justamente nessa complexificação que Spielberg e o…

  • The Power of the Dog

    The Power of the Dog

    ★★★★½

    Em última instância, é um filme sobre mãos. As mãos que fazem a flor de papel, as mãos que fazem a corda, as mãos que tocam instrumentos musicais, as mãos que tocam o rosto... Dá pra listar vários momentos em que a câmera se aproxima dos gestos dos personagens pra criar algum tipo de expressão. E talvez seja uma expressão voltada para revelar aquilo que está reprimido, o gesto revela o que a fala não pode (melodrama?). A Campion constrói…