In My Room

In My Room ★★★★½

Late capitalist embarassment, tragicomédia física. Os personagens respondem a tipos antagônicos, porém complementares, de ansiedade, usualmente associadas a papéis de gênero. De um lado, a pressão por conhecer tudo, assimilar cada vez mais informação, experimentar tudo o que for possível e mais, viver diferentes vidas além da que vives agora, na medida em que sempre há algo a ser visto que ainda não viste, novas experiências em novas paisagens que estás deixando de desfrutar. Como assim você não deseja abraçar o mundo com as mãos? Do outro, a pressão justamente pelo contrário, pela criação de um ninho familiar, onde se possa sossegar socialmente, aburguesando-se de acordo com as expectativas sociais. Como assim você não é capaz de repetir o sucesso baby boomer?

Os pais criam os filhos e os filhos crescem e compartimentalizam os pais, os quais por sua vez também já compartimentalizaram uns ao outros. A nossa história é a história de solidões incomunicáveis a postos para compartimentalizar uma próxima. Para que temos filhos? Por propósito rotineiro, por afeto que nos deixe menos solitários, para ter alguém que nos enterre, para que a raça sobreviva? E se a continuidade de sangue da raça humana dependesse de alemães e italianos? Seriam eles, afinal e depois de tudo, capazes de salvaguardar a sobrevivência racial? Sem uma sociedade para poder agir reativamente em relação a ela, de que forma você construiria uma identidade para si? Agora que TUDO te pertence e o planeta é seu quintal, sua propriedade privada, o que você faria na condição estável de dono do mundo sem súditos? O que é um rei sem escravos? Por que os homens criaram a escravidão e o Estado ao mesmo tempo? Qual é o fundo socioeconômico de cada ação dramática? Por que motivo, na sequência inicial, o protagonista é incapaz de pôr os líderes partidários da esquerda em foco? O capitalismo nos sobreviverá. O capitalismo se sobreviverá. Mas o ronco inaudito de uma Lamborghini fossilizada não se escutará.

(Clint Eastwood nos sobreviverá!)

E se Eva dissesse não?

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