• Adventureland

    Adventureland

    ★★★★

    “I want to owe you something.”

    Pedaços de um verão compartilhado com pessoas em diferentes momentos da vida, para descobrir o respeito pelo que faz, pelo trabalho, para assumir riscos e interpretar suas emoções e entranhas, e estar curioso em conhecer melhor o seu amor. Uma adolescência de relações calmas e conflitos e inseguranças que aos poucos vão forjando sua personalidade, bonito pra caramba.

  • Demonlover

    Demonlover

    ★★★½

    As corporações usam das suas imagens de violência para arrecadar o que mais almejam, e os jogos de espionagem e de poder com o desejo mediando as dúvidas permanecem intocados pelo sangue virtual até que a imagem de uma de suas jogadoras é esfacelada e agredida. Bem difuso e interessante quando se mantém nas representações de violência dos filmes, das tvs, dos jogos, dos animes, enveredando por virtualidades que funcionam como motor do capitalismo enquanto as relações de seus funcionários…

  • Electric Dragon 80.000 V

    Electric Dragon 80.000 V

    ★★★★½

    Das únicas formas de se lidar com as pressões do caos urbano e de ter seu destino selado pelo acaso da cidade é se revoltar com as ondas elétricas da sua guitarra. As duas faces do poder máximo escorado em pessoas que tiveram a infância e crescimento moldados a partir do sobrenatural, dos excluídos às margens da cidade cyberpunk, que se confrontam da maneira barulhenta e furiosa digna dos deuses e das luzes noturnas que piscam como os melhores noises. Queria que todo filme de super-herói fosse assim.

  • Driven

    Driven

    ★★★

    A trama do mentor abraçada por Stallone, bom como sempre, aplicada a jornada do jovem que precisa amadurecer sua velocidade. A sequência antes da corrida no Japão é muito boa e exemplifica o que o filme tem de melhor, que é a forma que Stallone sugere arcos só pelos olhares de homens com as emoções afloradas, e a forma abstrata que Harlin filma esse acumulado de informações quase transformando o drama em hiper-estímulo visual. Claro que é muito básico e…

  • August in the Water

    August in the Water

    ★★★★★

    As nuvens do meio-dia, o vento nas árvores, o monte ao longe, os jovens na escola, o toque na mão da pessoa amada, e todo o resto que está em risco diante da força arrasadora do amadurecer (ou do apocalipse). A solidão urbana e os procedimentos mágicos misteriosos de Fukuoka sete anos antes de Pulse, a epidemia do isolamento como resposta do desejo dos deuses adormecidos, sob o olhar de Izumi e de quem se apaixonou por ela sem poder…

  • Oki's Movie

    Oki's Movie

    ★★★★½

    Aproximando realidades e tempos para buscar o que se repete nos instantes de amor e nos atritos das relações. A estrutura dos quatro contos que lançam luz uns sobre os outros, desvelando os personagens em intimidade e em jogo de poder, atiçando a curiosidade e sugerindo as dores caladas que se guarda. O primeiro conto no “futuro” sendo ressignificado com acúmulos e tensões não-ditas pelos seguintes, nos rumores que nas suas insuficiências acabam isolando a confiança das relações, como se…

  • Baby Driver

    Baby Driver

    ★★★½

    Minha coisa favorita aqui permanece o personagem do Jon Hamm numa jornada cheirada de autodestruição em nome do amor. Que seja um filme violento e um tanto cruel andando junto com o musical solar de gestos amorosos e romances impossíveis é uma decisão boa demais no risco, que às vezes patina, mas recompensa na organização de cena baseada toda na consciência de realidade de Baby, que muda, como sua sorte, a cada música, por vezes no meio dela. Na melhor cena, na cafeteria ao som de Barry White, tudo vem ao mesmo tempo, os olhares, as ameaças, os planos criminosos de fuga.

  • Tripping with Nils Frahm

    Tripping with Nils Frahm

    Nossa senhora do céu, como queria ter ido nesse show (ou ter visto no cinema numa tela enorme com som muito alto). Beleza de decisão microfonarem não só o som de um dos pianos como o som das mãos do Nils Frahm batendo nas teclas. O momento que ele toca piano entre a #2 e a Says também é bem inacreditável.

  • Dragon Inn

    Dragon Inn

    ★★★★★

    O pêndulo entre civilidade e violência oscilando o tempo todo para que rivais possam fazer sua tocaia. Bem bonita a forma que o cerco é construído a partir de um lugar de refúgio, de segurança, e que cada personagem precise jogar com as possibilidades de sobrevivência através duma lógica literalmente espacial. Como O Grande Mestre Beberrão, um filme de grandes atos mágicos, cujo setting na estadia vira travessia no final porque os atos dos heróis, cada luta, cada dificuldade, cada cerco, os transformaram na própria voz do chamado da montanha. Algumas coisas são maiores que os tratados e as espadas dos homens e mulheres.

  • Shake! Otis at Monterey

    Shake! Otis at Monterey

    ★★★★

    “You’re a love crowd, right?”

    19 minutos de Otis se apresentando para a eternidade.

  • City of the Living Dead

    City of the Living Dead

    ★★★½

    Todo o expurgo e negociação entre os olhos de quem testemunhou o mal e de quem ainda vai presenciá-lo. Os closes de Fulci nas várias trocas de olhares que revelarão o místico ameaçador que paira sobre a cidade carrega o filme inteiro com a confiança dos relatos de horror, e cada personagem que se vira para a câmera para praguejar esse apocalipse, através dessas profecias, dessas palavras, faz o pavor de fato se instaurar. Menos interessante como retrato de uma…

  • Vampires

    Vampires

    ★★★½

    A peste mística dos pecados da Igreja Católica que continua andando por aí, os mercenários sanguinários com sua nova cruzada, e o oeste americano, essa terra de ninguém abandonada pelos mitos de conquista que assolam esse lugar desde sua fundação. Quase uma versão mais linear e fantasiosa do arco de Dennis Hopper em Massacre da Serra Elétrica 2. Atento aos detalhes na criação de mundo como se espera de Carpenter, nesse setting curioso da política e logística da caça aos…