Vampires ★★★½

A peste mística dos pecados da Igreja Católica que continua andando por aí, os mercenários sanguinários com sua nova cruzada, e o oeste americano, essa terra de ninguém abandonada pelos mitos de conquista que assolam esse lugar desde sua fundação. Quase uma versão mais linear e fantasiosa do arco de Dennis Hopper em Massacre da Serra Elétrica 2. Atento aos detalhes na criação de mundo como se espera de Carpenter, nesse setting curioso da política e logística da caça aos vampiros, o que liberta James Woods na sua jornada vagabunda ao oeste que passa por moteis e cidades abandonadas, e termina obviamente no filme de cerco caro ao diretor. Junto com Fantasmas de Marte funciona como ótima reflexão aos delírios colonialistas americanos, ainda que não tão bem sucedido na forma de lidar com o místico quanto aquele filme ou na conjuração culpada enervante do apocalipse em Príncipe das Trevas, talvez por conscientemente acompanhar a escrotice objetiva de Woods na forma desapaixonada com que lida com seus objetivos - o que pelo menos ressoa particularmente na separação final. O céu é vermelho e laranja como as chamas que explodem dos corpos vampiros, e é necessário aceitar a existência do mal que escorre pelas veias da terra para então se armar para combatê-lo.

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