Spikes Protocol ★★★★

Sequestro de imagens, culturas, e portanto lugares, para uma ideia de mundo a se destruir. Um imaginário de civilização construída através de fragmentos e principalmente vestígios, lugares passados, cujos fantasmas e memórias são os responsáveis pela atmosfera de tensão que nunca cessa.

Os diálogos entre os agentes infiltrados de sabe-se-lá-aonde se concentram muito mais numa experiência sensorial de difusão que em respostas para os dilemas sócio-políticos que vemos em tela. Um baile cotidiano vira um encontro de sombras, as antenas de tv viram transmissores, a multidão entretida se despede festejando os opressores. 

Sobra a Barra, poucas vezes retratada com essa desesperança e concisão; que haja humanidade ali - diferente da dimensão neon de um Mate-me por Favor - talvez seja o elemento dissociativo mais interessante desse filme. O registro agressivo - graças à textura do celular - desse lugar definitivo do imaginário carioca no que se configura como um projeto zumbi sempre a se regurgitar, uma madrugada eterna de vazios onde só podem habitar os violentados pelo tempo.

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