Farewell to the Summer Light ★★★★½

Mesmo que fuja, um dia o Japão voltará a alcançar seu coração. A aproximação romântica entre duas almas em estado de trânsito, em suspensão, com suas procuras impossíveis pela catedral que é ponte com o passado, pela imagem duradoura da casa que lhes foi negada. Os momentos e os tempos dos quadros de De Chirico transformados no amor como processo de identificação cultural, de liberdade das armadilhas que transformamos em memória, das violentas cicatrizes de um país ainda lidando com a avassaladora transformação diante da globalização. Naoko e Kawamura vagam pelas cidades construindo momentos juntos, combatendo as inseguranças, tentando tirar o peso das suas escolhas passadas, com a câmera e a encenação de Yoshida capturando a vastidão do alcance da luz, como se o amor dos dois dependesse da harmonia entre as mais diversas arquiteturas que os envolvem ao redor. É dos corajosos e dos apaixonados a opção de confessar sobre e compartilhar um ambiente, um lugar de segurança onde sua personalidade reside e onde está sua verdadeira casa, e não é uma escolha fácil de se fazer. Quem sabe o acaso continue ajudando e no futuro isso possa se tornar algo além de um verão.