Araby ★★★★½

"Vamos pra casa. Só queria falar isso para todos eles."

Um homem sem importância. Jornada pela descoberta da mentira do mito do trabalho, e as marcas que a estrada deixa por essa transição sem fim, a falta da estabilidade. O bem mais precioso que o trabalho sequestra é a possibilidade de pertencimento. De uma atmosfera de estrada singular, pelas cidades de Minas cujo trabalho a oferecer não surge como oportunidade de amadurecimento, mas de obstáculo dele. Dos pequenos alentos que encontramos pelo caminho, das pessoas e culturas, e da empatia entre classes que surge pela divisão de um espaço urbano similar vivido.

Dos gritos sufocados mais bem dados desse Brasil do presente cujos ícones de revolução voltaram à estaca zero. Quando vemos a fábrica da mesma forma abandonada que Aristides (ou Cristiano) há apenas a força bruta da imagem, o desespero desse lugar perigoso que os chefes continuam a dizer o quanto é seguro.

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