Little Women

Little Women ★★★★★

Acho que oficialmente entrei pro fã–clube da Greta Gerwig depois desse filme.

Em "Adoráveis Mulheres" ("Little Women") Greta pega um dos maiores clássicos da literatura norte–americana da escritora Louisa May Alcott para traduzir a sua própria leitura dessa obra em uma adaptação impressionantemente inteligente. A inteligência se deve porque a alma e o calor do livro estão lá mas Greta adiciona a isso um objetivo muito fascinante e próprio da sua autoria que é usar essa história pra expor seus objetivos narrativos e artísticos com inventividade e criatividade como numa estrutura não–linear pra não citar vários outros exemplos (e que sentido teria adaptar um livro já tão adaptado se não fosse de uma maneira diferente?).

Então Greta tanto no seu roteiro quanto na sua direção – ambos impecáveis – adiciona um tom moderno, bem–humorado, leve, sarcástico, sincero e caloroso criando um retrato do cotidiano até um reencontro entre os seus personagens com as suas pequenas e grandes alegrias olhadas com muita verdade. A mesma verdade para qual ela olha para as pequenas e grandes tristezas da vida com uma sensibilidade e verdade gigante que compreende essas tragédias e desilusões como engrenagens dolorosas da vida que não apagam o que tem de mais belo e gracioso nas relações humanas que cercam essas personagens e esse universo.

"Little Women" vibra sinceridade e isso é lindo. É delicioso ver cada interação de todas aquelas personagens. Assim como em "Lady Bird" cria e filma seus universos, as suas heroínas e as suas personagens com verdade, paixão e generosidade traduzindo para a tela uma gama de personagens humanos e cativantes. O cuidado extremo com os atores (todos ótimos dos maiores pros menores papéis em especial a dupla Saoirse e Florence geniais além de um Timothée Chalamet excelente), a fotografia belíssima na sua discrição criando tomadas que revelam o estado emocional daquelas figuras em voltas com suas relações com uns e outros, a imersão naquele universo da trilha sonora de Alexandre Desplat, os usos inteligentes de figurino, direção de arte e por aí vai engradecem e criam uma unidade para o experimento de um novo clima e de adaptação que Greta faz pra essa história clássica – ao adicionar nessa sua inteligente leitura da obra um retrato das relações de mulheres com o dinheiro nessa época, de fazer com que a sua Jo March reflita a sua própria criadora Louisa May para trazer um comentário metalinguístico em seu final glorioso numa ode que Greta promove das mulheres artistas e das mulheres que fazem parte do mundo das artes.

Que artista :)

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