The Cannibal Club

The Cannibal Club ★★★★½

O excesso encontra-se dialeticamente com seu oposto, e Guto Parente testemunha uma falta

Óculos escuros no rosto, aperol spritz na mão e biquíni no corpo: Gilda deita-se sobre uma espreguiçadeira enquanto troca olhares com o caseiro Lucimar. Mãos distantes cortam churrasco, e o flerte continua. O título, em crédito anterior, estabelece uma inicial estranheza. O clube dos canibais, anunciam letras vermelho-sangue. Repentinamente, aquele prato não mais parece tão apetitoso. A justificativa encontraria um apressado espectador na mera referência às práticas antropofágicas. Afinal, o filme parece bem explícito ao representar uma elite cuja opulência se sustenta diretamente na exploração dos marginalizados. A “população de bem”, o belicismo, o apelo à privatização, os estrangeirismos tanto na língua (rendez-vous) quanto na cultura (o tenor italiano), o ode aos países “de primeiro mundo”, a hierarquia patriarcal, a meritocracia, e até mesmo uma perdurante fase anal, tudo está ali.

Leia a crítica de Luiz Baez

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