Lemmings, Part 2 – Injuries

Lemmings, Part 2 – Injuries ★★★★

Entre gritos e sussurros

Apesar do suicídio nos derradeiros minutos, a sequência final de Lêmingues - Parte 1: Arcádia (Lemminge - Teil 1: Arkadien, 1979) sinalizava uma quebra, ao menos parcial, com o ciclo de desumanização da geração anterior. Nela, dois dos protagonistas se sentam de lados opostos em um trem: um por acidente; outro pelo desejo de recomeçar a vida alhures, em Viena. Enquanto um viaja “para frente” - tanto espacial quanto metaforicamente -, outro ruma “para trás”, preso a Neustadt e sua mentalidade provinciana. Nesta lógica, os primeiros segundos da Parte 2: Feridas (Teil 2: Verletzungen, 1979) ocupam-se de desfazer qualquer esperança disruptiva - no outro filme simbolizada, assim como em O tempo do lobo (Le temps du loup, 2003), pela imagem da locomotiva.

Antes mesmo das cartelas iniciais, um automóvel acelera e acerta uma árvore. Haneke antecipa, como em 71 fragmentos de uma cronologia do acaso (71 Fragmente einer Chronologie des Zufalls, 1994), o destino das personagens, prévio à sua reapresentação. Passadas duas décadas desde o primeiro filme, os nascidos no pós-guerra compartilham com os progenitores as marcas de um período traumático. Filho de um beberrão agressivo, Fritz perpetua a violência do pai ao dele vingar-se com o sufocamento do pássaro de estimação - o incidente, ocorrido ainda na infância e relatado a posteriori, muito se aproxima da morte de Pipsi em A fita branca (Das weiße Band, 2009). Outros protagonistas, por sua vez, repetem a infidelidade dos mais velhos - tentam preencher com o sexo a angústia de uma vida desamparada das explicações outrora oferecidas pela religião e pela ciência.

Leia a crítica de Luiz Baez

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