Fake Blond ★★★★

Silmara se mostra muito segura sendo a musa de seu universo, mas a vida nao vai muito alem dessa imagem. Imagem parece chave aqui, na ideia do processo civilizatório da amiga, se formatando através do consumo. A cena no shopping é filmada de forma romântica, mas aquilo é de fato um sonho realizado para uma classe (todas talvez) e acho corajoso ver o valor sentimental disso. 
Como faz falta um cinema brasileiro que embarca na ideia, não fica bancando o intelectual observador passivo. Que flerta com o brega com gosto, nao
atropologicamente. Carlao curte o show do caua mesmo, se diverte no clube, aquele é o universo da personagem e merece respeito. Se esbalda nessa estetica 00s, naquele específico posado de atuação brasileira, as vezes filma como novela, o que nao impede uns efeitos hitchcock e outros maneirismos. Quem diga o final, aquela louca chegada ao paraíso.
O paraíso aceito mesmo na mentira. E aqui nao é uma memoria em super 8 tipo o ceu de suely, é da fantasia televisiva mais brega possível. Mas embarcar nao quer dizer nao ser consciente. Consciência vem nesse fim trágico, de descobrir que o mundo de imagem nao se sustenta sozinho. Uma lição nao so pra nosso cinema. 
Frase de socrates com aquela fonte cafona, estaria aqui uma ponte surreal entre o popular e o dito erudito? Porra, como essas divisões sao toxicas pra nossa cultura.