Jeanne Dielman, 23, Quai du Commerce 1080 Bruxelles

Jeanne Dielman, 23, Quai du Commerce 1080 Bruxelles ★★★★

É tão difícil de julgar ou de defender Jeanne Dielman, a personagem-título dessa obra-prima da Chantal Akerman.

Tenho certeza que esse é exatamente o efeito esperado em Jeanne Dielman. Em sua longa duração, é um filme que te coloca, primeiro, como uma espécie de espírito rondando a personagem em sua rotina. O primeiro dia é maçante, sim. Mas talvez seja apenas maçante pela adaptação. É no segundo dia, quando você já conhece cada textura dos azulejos da cozinha ou como Jeanne organiza a sala de jantar que você percebe a casa de Jeanne Dielman.

Para um filme tão extenso como esse, é incrível o quão pouco sabemos de Jeanne Dielman. Nós a vemos servir seu filho e seus clientes, mas nunca temos um momento em que podemos percebê-la. Ao menos não até o terceiro dia, em um breve instante que Dielman se encontra consigo mesma — sozinha na sua sala de estar, percebendo que todas as suas tarefas já foram feitas e ela se encontra com um tempo para si. Akerman finalmente quebra os planos precisos da casa até ali, filmando Dielman (e a sala) de um ângulo até então não visto. Por um breve momento, tanto para nós quanto para Dielman, a casa parece algo desconhecido. Finalmente tendo um tempo para si, Jeanne se vê em algo estranho e perturbador. E ela está dentro dele — uma tragédia.

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