Transit

Transit ★★★★½

Quando se fala em distopia logo imaginamos uma sátira ou comédia subversiva (como Laranja Mecânica), ou alguma adaptação de um livro infanto-juvenil ou HQ (como Jogos Vorazes e V de Vingança) ou até mesmo uma ficção científica dramática, existencial ou não (como Fahrenheit 451, Filhos da Esperança e Minority Report).

Os exemplos não faltam. Todos esses filmes tem em comum realidades próximas às nossas onde a sociedade vive sob regimes autoritários e é justamente por temermos viver nessas condições, que filmes assim nos incitam alguma curiosidade.

Transit é uma distopia que tem ainda um anacronismo bastante elegante. A história se passa nos tempos atuais, mas é como se a Segunda Guerra e o nazismo fossem uma ameaça real e crescente, os personagens tentam fugir da polícia que os levarão a campos de concentração e do exército inimigo que invade países e cidades dizimando vidas inocentes.

No meio de todo este turbilhão acompanhamos Georg, um alemão, que a pedido de um amigo, embarca para Marselha e assume a identidade de um escritor. Lá ele conhece a misteriosa Marie (Paula Beer) - a esposa do escritor, que sonha em encontrar o marido desaparecido - enquanto tenta driblar as burocracias do sistema para embarcar para a América e se tornar alguém com algo a mais do que apenas a esperança e a vontade de viver.

Transit não se contenta em ser somente distópico ou ter discursos inflamados, é muito maior que isso.

"Você vai abandonar uma criança?
"Mas ele não é meu filho!"
"E daí? Ela não é minha esposa."

É um filme sobre relações humanas em tempos onde a vida vale mais do que qualquer coisa e os momentos mais simples, como consertar um rádio velho e ouvir desabafos de outros refugiados, são os que fazem valer a pena.

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