Slender Man

Slender Man

Talvez o maior problema de Slender Man – Pesadelo Sem Rosto seja exatamente tornar palatável uma mitologia (abordada no documentário Cuidado com o Slenderman de 2016) e, conforme a história vai se desenrolando, o diretor Sylvain White abandona tudo para tornar a história um amontoado de atitudes estúpidas e clichês desgastados, sai o horror psicológico e entram os jumpscares, a trilha alta e estridente e as sombras e vultos nos cantos da tela.

O elenco juvenil composto basicamente por meninas, algumas até bastante conhecidas, como Julia Goldani Telles (da série The Affair), Joey King (7 Desejos) e Annalise Basso (Ouija – Origem do Mal), encontra pouco espaço para escapar das típicas atuações do terror: caras horrorizadas olhando para o nada, gritos e muita correria. Além disso, o roteiro com frases expositivas e nada convencionais não ajuda em nada para que possamos simpatizar com as personagens.

Outro desperdício do elenco é Javier Botet, tão acostumado a interpretar monstros e assombrações em produções recentes – ele foi a menina Medeiros em REC (2007) e a mãe em Mama (2013) – aqui, como o Slender Man, não se nota o trabalho do ator, fazendo de sua criatura apenas mais um monstro digital que faz o que quer para assustar as garotas, sem que saibamos o porquê, de onde ele vem e qual é seu modus operandi, afinal, em certa cena, ele se transforma até em uma espécie de aranha gigante.

Nem mesmo a crítica às redes sociais e ao uso exagerado da internet funciona. Assim como em Medo Viral (2016) e Pulse (2006), nota-se o uso constante de aparelhos celulares e computadores – até o próprio Slender Man utiliza esses aparelhos para atacar – porém tudo é jogado na história em cenas que simplesmente não funcionam e não ajudam a entender o Slender Man.

Talvez a única coisa que se “salve” no meio de tanta bagunça seja o vídeo onde o Slender Man é supostamente invocado, onde nota-se um quê do surrealismo de Salvador Dalí, mas a adaptação desta lenda peca exatamente por não saber que caminhos trilhar para dar identidade à entidade.

Ao final, o mito criado na internet é completamente afetado pelos clichês de um gênero desgastado. Se a ideia parecia boa, a execução é completamente sofrível.

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